Antes de mais nada: MINHA opinião. É, você pode não concordar, mas isso não quer dizer que eu não tenha o direito de expressá-la aqui. Não gostou? Comenta aí, usando aqueles princípios básicos da educação. Ou então caia fora e não me encha o saco. He.
Eu tava esses dias dando uma pesquisada sobre preconceito cultural. E eu achei muita coisa, desde o preconceito propriamente dito entre as culturas de países, estados etc, em relação à mitos, folclore, músicas e danças regionais, até disputas ridículas pra ver quem é mais inteligente, quem leu mais livros ou quem viajou para mais lugares. E é difícil eu ser imparcial nesse aspecto, sem talvez acabar caindo na droga da armadilha do preconceito. Porque sim, eu tenho preconceitos, mas a maior parte me é oculta, e conforme eu me deparo com eles, tento ou dissipá-los, ou no mínimo amenizá-los, mas SEMPRE compreendê-los.
É, pode ser estranho ver algum indício preconceituoso em um texto que trata de… preconceito.
Na verdade, nem sei se esse é o termo apropriado para se usar aqui. Mas como o blog é meu…
É, me processe.
Bom, eu sou uma pessoa que geralmente presta MUITA atenção ao que as pessoas dizem. Ás vezes elas nem notam, ás vezes eu faço de conta que não ouvi, ás vezes eu nem respondo. E sim, quando elas dizem algo interessante, eu peso os argumentos, tento enxergar o outro lado, e tem vezes que eu até pesquiso os fatos. Enfim, é uma boa maneira de se conhecer as pessoas (sim, generalizando). E eu acabo de chegar no ponto que eu queria ^^
Conhecer as pessoas. Conhecer os gostos das pessoas. Conhecer o porquê de a pessoa achar aquilo gostoso. E, acima de tudo, RESPEITAR o fato de ela gostar. Parece simples no contexto, mas na prática, geralmente a coisa é lamentável. Tipo, uma coisa (BOA) é criticar. Mas criticar não é só falar mal. E críticas bem fundamentadas geram ÓTIMAS discussões. E o poder de argumentação agradece.
Por exemplo: quando eu leio um livro que me salta a cara, eu respiro fundo, e vou procurar a opinião de quem não gostou. Pode parecer, sei lá, contraditório. Mas não existe nada mais satisfatório para fins de plena compreensão da obra (no caso) como um todo, e enxergar as coisas por um outro ângulo.
Agora, uma coisa é eu pesar os prós e contras daquele livro que num primeiro momento eu achei INCRÍVEL, e formar a minha opinião sobre o mesmo, e outra beeeem diferente é eu ter a pretensão de achar que só porque eu gostei, a coisa é boa mesmo. Pois sim, existe diferença entre a coisa ser boa pra mim, e de a coisa ser boa de fato.
Tipo, quando eu tinha 10 anos, lá fui eu, pela primeira vez, assistir um filme no cinema. Qual o filme? Titanic. E olha que eu nem sabia do que se tratava a história. Pra ser franca, eu achava que era algo envolvendo uma baleia ou um tubarão hahaha Enfim, eu saí da sala simplesmente CRAZY. Aquilo pra mim foi o máximo, a história perfeita, e sim, pra mim era o melhor filme do mundo. Eu tinha pôsteres, agenda, camisetas, cartas que eu escrevi, e até uma miniatura do navio (hehe). E ficava efetivamente brava com quem falava que Titanic era uma merda.
Hoje eu vejo que os meus motivos por amar aquilo na época eram melhores do que os motivos que as pessoas me davam pra justificar que achavam uma merda. Não tô generalizando, tô falando da minha experiência. Geralmente me falavam que o filme não prestava por causa do DiCaprio. Diziam “mas ele nem é bonito!”. Pra porra se isso é argumento.
Claro que hoje eu não fico mais brava quando falam que algo que eu gosto é uma bosta. Mas assim: acha uma bosta? Tudo bem. Mas vai ter que me dizer EXATAMENTE o porquê de você pensar assim, e não me venha com argumentos cretinos. Por exemplo, eu li O Apanhador no Campo de Centeio (simplesmente considerada a mais acurada crônica da juventude do século XX), e eu sinceramente não me identifiquei. Sei lá, não conseguiu me cativar. Tipo, não que eu tenha achado ruim, porque de fato não é. Mas eu posso criar um post gigante aqui explicando o porquê de EU não incluir O Apanhador na lista dos livros da minha vida. Agora, tentar pregar por aí que o livro é uma droga, daí não dá, né?
E ao meu ver, essa é a diferença entre contestações de ideias com imposições de ideias. Sim, com 10 anos eu tentava convencer as pessoas que o fato de o Jack morrer no final, era simplesmente a melhor parte do filme. Não faria sentido ele ficar vivo. E eu sinceramente não acredito que ele teria mesmo ensinado a Rose a cuspir como macho, ou a cavalgar como macho (he). Provavelmente ela teria casado com o Cal, e mandado o Jack pastar. Pra mim, qualquer ponto fraco que o filme tivesse não deveria nem ser levado em consideração. E eu já tô divagando demais nesse assunto (vou fazer um post sobre Titanic *anota* ).
Enfim, o que eu quero dizer é não, eu não respeitava o fato de alguém me falar que algo que eu gostava era ruim. Mas eu tinha 10 anos, poxa… É, não que justifique, mas eu vejo gente no meu meio social com, sei lá, 10 anos mais velha que eu e que possui a mentalidade fechada pra caramba. E o pior: gente que se considera esclarecida. Gente que sofre preconceito por gostar de certo estilo musical ou por se vestir de maneira diferente, e é preconceituoso com OUTROS estilos e afins. Gente que classifica as pessoas de acordo com os gostos e preferências delas. Gente que EXIGE respeito da sociedade, EXIGE consideração e reconhecimento, mas ao se deparar com opiniões divergentes, apela pra termos pejorativos.
Para tudo, e veja bem, TUDO mesmo, tem um lado a favor e outro contra. E é aí que surgem as desavenças. E misturada com a imaturidade, e na maioria das vezes com a falta de educação, lança-se mão de xingamentos e ofensas. E sinceramente, sair xingando e mandando se foder todo mundo que não concorda com a sua opinião só mostra que você é bastante infeliz mentalmente (e verbalmente)
Contraditório? Sim, e ridículo também. Não tô dizendo que é proibido falar, porque céus, não é! Quer falar? Fale, mas fale com RESPEITO. Exponha a sua opinião e tente entender a dos outros (e veja bem, E-N-T-E-N-D-E-R é diferente de C-O-N-C-O-R-D-A-R). E sim, faça uso de bons argumentos, com coerência e de forma madura. Porque francamente, você vir me xingar porque eu gosto de Titanic sem uma droga de argumento coerente, só mostra que as suas opiniões não são muito dignas de crédito, e campeão, você dificilmente será levado a sério.
É dever de cada um entender que não está sozinho no mundo. Que ao nosso redor existem pessoas que pensam, que amam, que odeiam, que buscam informações e que têm personalidade. Que existem milhares de concepções de “certo e errado” diferentes da sua. E que o seu “bom gosto” pode ser bem diferente do meu.
Cabe a você saber defendê-lo, respeitando os outros, ou continuar no seu mundinho patético, onde só o que você acha certo, é de fato… certo.
08/07/2011
Categorias: A vida dos meus dias... . . Autor: Daniela Brunner . Comentários: 1 Comentário